O Feitiço
Andréa tinha vinte e dois anos, um corpo maravilhoso e a gerência de uma boutique, com um monte de funcionários que não gostavam dela, mas isso não fazia muita diferença num mundo globalizado neoliberal com o desemprego em alta, o que não dá muita saída além de aceitar mais hora extra não remunerada e mais cortes na comissão, mesmo sabendo que, como comentavam pelos cantos, "ela diz que os tempos estão tão duros quanto os peitos dela, quando na verdade estão, no máximo, tão duros quanto o membro viril do namorado dela", referência maldosa à idade do amado da jovem, um bem-sucedido publicitário de quase cinquenta anos. Porque Andréa era dessas meninas que, aos dezoito anos, só tem tailleurs no armário. Que nunca suava quando saía pra dançar. Que nunca se despenteava. Que só via filme europeu e frequentava o Estação Unibanco, saindo para discutir a mensagem da fita com seus amigos trintões e quarentões em algum sushi bar. E que ainda por cima, quando tinham que gargalhar, riam ...