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O Feitiço

Andréa tinha vinte e dois anos, um corpo maravilhoso e a gerência de uma boutique, com um monte de funcionários que não gostavam dela, mas isso não fazia muita diferença num mundo globalizado neoliberal com o desemprego em alta, o que não dá muita saída além de aceitar mais hora extra não remunerada e mais cortes na comissão, mesmo sabendo que, como comentavam pelos cantos, "ela diz que os tempos estão tão duros quanto os peitos dela, quando na verdade estão, no máximo, tão duros quanto o membro viril do namorado dela", referência maldosa à idade do amado da jovem, um bem-sucedido publicitário de quase cinquenta anos. Porque Andréa era dessas meninas que, aos dezoito anos, só tem tailleurs no armário. Que nunca suava quando saía pra dançar. Que nunca se despenteava. Que só via filme europeu e frequentava o Estação Unibanco, saindo para discutir a mensagem da fita com seus amigos trintões e quarentões em algum sushi bar. E que ainda por cima, quando tinham que gargalhar, riam ...

Camila

Eram uns estalidos. Baixos, pequenos, mas audíveis. Madeira e prego, o prego se dobrando, se enfiando, entrando mais e mais nas fibras, parando e voltando, parando e voltando. Era a cama do meu irmão. Ele estava se masturbando. Tocando uma punheta. Ele ia sair do quarto suado, vermelho, cheirando forte e ia terminar no banheiro. E depois ia se deitar. Eu tinha quatorze anos e um namoradinho e o mais longe que chegamos foi ele me explicando exatamente o quê o meu irmão estava fazendo, um dia em que eu deitei no colo dele na minha cama e a gente começou a ouvir os barulhinhos, na mesma hora em que eu sentia na minha face pela primeira vez a forma, o tamanho e a consistência de um pau duro, de um jeito que os amassos que eu tinha dado até então não tinham conseguido me mostrar. E foi enquanto ele me fazia uma leve carícia nos meus cabelos e eu ficava pensando se aquilo que eu sentia encostado na minha bochecha ia conseguir entrar dentro de mim sem me machucar, de que jeito, que ele me ex...