O Feitiço
Andréa tinha vinte e dois anos, um corpo maravilhoso e a gerência de uma boutique, com um monte de funcionários que não gostavam dela, mas isso não fazia muita diferença num mundo globalizado neoliberal com o desemprego em alta, o que não dá muita saída além de aceitar mais hora extra não remunerada e mais cortes na comissão, mesmo sabendo que, como comentavam pelos cantos, "ela diz que os tempos estão tão duros quanto os peitos dela, quando na verdade estão, no máximo, tão duros quanto o membro viril do namorado dela", referência maldosa à idade do amado da jovem, um bem-sucedido publicitário de quase cinquenta anos. Porque Andréa era dessas meninas que, aos dezoito anos, só tem tailleurs no armário. Que nunca suava quando saía pra dançar. Que nunca se despenteava. Que só via filme europeu e frequentava o Estação Unibanco, saindo para discutir a mensagem da fita com seus amigos trintões e quarentões em algum sushi bar. E que ainda por cima, quando tinham que gargalhar, riam baixinho. Para não atrapalhar ninguém. Andréa já trabalhara como contato publicitária e como promotora de eventos, mas dizia aos empregados, que ganhavam uma fração de seu salário, que só estava naquele posto mal remunerado para ter tempo de terminar a faculdade de administração, já que desistira do Direito.
Mas isso não significava que ela não se dedicasse ao seu trabalho. Ela era profissional. Esforçada. Ambiciosa. Era por isso que não gostava de gente de sua idade. Um bando de irresponsáveis e brincalhões. Inconsequentes. Tolos. Fúteis. Reclamavam tanto de fazer hora extra, mas eram incapazes de tomar qualquer atitude. Era só ela anunciar serão para ouvir os lamentos. E só. Ninguém se queixava diretamente. Ninguém tinha coragem para tanto. Sem ambição. Fracos. Nenhum deles teria a disposição dela, a disposição de estar tão tarde da noite ainda na loja, checando os livros de caixa e o estoque. Ela tinha ouvido muito os empregados comentando sobre os shows que tinham ido assistir ultimamente. Muitos shows. E todos caros. Sem contar que o François havia mesmo comprado um carro. Podia parecer pouco, mas ela não chegara tão longe em tão pouco tempo de outra forma. Podia ser apenas um indício de que eles estavam aprendendo com ela a organizarem suas vidas, mas como ela não vira nenhuma mudança no comportamento deles, ela duvidava disso. Ela queria ter certeza de que ninguém estava roubando a loja.
E, pelo jeito, era isso que ela ia conseguir. Livros, planilhas, estoque, faturas, tudo conferia perfeitamente. Mas não batia. Algo ali não batia. Ela estudara Jung, Freud, Campbell e sabia que intuição era a maneira do subconsciente avisar você de alguns fatos coletados que você desprezou conscientemente. Ela sabia que não devia desprezar seus instintos. Alguma coisa andava errada com os funcionários daquela loja. Mas o quê? O quê?
Foi quando ela ouviu os passos.
Alguém estava se movimentando no estoque.
A gerente sorriu. Agora estava tudo claro para ela, ali, naquelas sombras. Não era uma manobra contábil.
Andréa aproximou-se intimorata da escuridão e chamou em voz patronal pelo empregado, "François?", mas as sombras permaneceram indevassáveis à sua vista e voz. Ela então inquiriu de novo, aumentando o tom de ordem.
"François"?
"Ouça-a, Mama Legba. Ela está sozinha e indefesa no escuro, mas ainda assim prefere ser desagradável e autoritária. Ela não demonstra o menor medo".
"Medo? Eu, François? Você é que deveria estar, andando pela loja a esta hora fazendo não sei o quê, logo depois de comprar um carro novo. Você vai ter muitas explicações a dar à Débora, depois do que eu contar a ela. Eu não, eu não tenho nada a esconder, não tenho nada a temer."
Ela mal acabou de falar, mal acabou de fazer seu discurso repreensivo, suas falácias de censura, quando uma voz feminina, uma voz de mulher, uma voz de uma mulher que viveu muito, que viu de tudo, a voz de uma mulher que conheceu mistérios deste e de outros mundos, uma voz de mulher com toda a autoridade advinda da experiência, a verdadeira autoridade que Andréa desconhecia completamente riu uma risada asmática, gasta em alegrias profanas e intermináveis em outros tempos e disse, em tom de ironia, "Pois deveria, menina. Isso não é coragem, é apenas estupidez". Andréa tentou localizar a voz, procurar uma sombra, uma silhueta, qualquer coisa que lhe indicasse quem estava lhe falando quando subitamente todo o depósito explodiu em luz, cegando-a tão completa e subitamente que ela caiu ao chão, tentando desesperadamente cobrir os olhos com o braço.
"Problemas com a visão, menina?"
"Onde você conseguiu esse refletor?"
"Não é de estranhar. Você sempre foi cega..."
"Desligue essa luz para podermos conversar..."
"Nunca teve olhos, por exemplo, para Fernando... você tem idéia do que ele sentia por você?"
"Fernando? Ele queria me adular... achava que poderia me subornar com flores e presentes..."
"Ele era perdidamente apaixonado por você, Andréa!!!!! Você não só ignorou os sentimentos do rapaz como ainda o demitiu por isso! Você sabe o que aconteceu com ele quando saiu da loja?"
"Eu não via porque manter contacto com alguém obviamente tão interesseiro..."
"Tão cega... tão perdida e completamente cega... ele entrou em depressão, Andréa. Tentou o suicídio... por uma mulher como você... que desperdício... que tolice..."
"S-suicídio?"
"Foi, menina má... Felizmente François tinha ido visitá-lo e o encontrou a tempo. Ele ainda está sob tratamento psiquiátrico. Vamos pular Ilana, que você demitiu porque ela estava conversando com aquele seu namorado, tentando ser simpática com o amado da patroa e você achou que ela estava dando em cima dele. Vamos falar logo de meu sobrinho-neto... François... e o carro que ele comprou..."
"François é seu sobrinho-neto..?"
"Sim, é... acho que ao menos casado você sabe que ele é... pois bem, o carro que ele comprou foi porque a Ana, esposa dele, estava grávida. Como eles sempre sonharam. No entanto, era gravidez de alto risco. Eles fizeram um esforço tremendo para comprarem o carro para que Ana pudesse chegar a tempo no hospital a qualquer sinal de que algo ia errado. Só que François contava com o pagamento das horas extras... que você cortou. E o carro foi tomado."
"Eu não tenho culpa! Ele não podia se endividar contando com um aumento ainda não decidido..."
"Não era um aumento, vagabunda! Eram meus direitos!"
"Calma, François. Ela vai ter o que merece", e Andréa pela primeira vez tremeu ao ouvir essas palavras da mulher, que em seguida dirigiu-se a ela, continuando a história.
"Sabe o que aconteceu, Andréa? No dia seguinte ao que o carro foi tomado, Ana começou a sentir-se mal, François estava na loja fazendo um serão de graça, para poder manter o emprego e o telefone estava desligado, por economia. Ela tentou tomar um táxi, mas não chegou ao hospital a tempo." A mulher fez uma pausa e Andréa começou a sentir-se mal, já adivinhando o que viria em seguida.
"Ela perdeu o bebê, Andréa. Um menino. E teve complicações. Ela nunca mais vai conseguir engravidar outra vez, Andréa. François não terá o filho que tanto queria com Ana".
Andréa começou a sentir-se mal. Pessimamente. Ela nunca imaginara que um empregado tão descuidado como François pudesse ser um marido tão empregado. Nunca lhe passara pela cabeça que alguém pudesse ser mais atencioso em sua vida sentimental do que em sua vida profissional.
"Eu... eu sinto muito... de verdade... eu não pretendia isso... por favor... apague esse refletor, para podermos conversar..."
"O refletor? Está bem. Apagaremos..."
A luz apagou de repente. Andréa finalmente pôde descobrir os olhos e ver com quem estava falando. Estavam todos ali. François. Fernando. Ilana. Uma senhora idosa, gorda e de branco. Em suas mãos, uma lanterna, agora apagada, com o foco dirigido aos olhos de uma pequena boneca.
Com as feições de Andréa, que teve um súbito choque ao se lembrar que François é um nome de língua francesa, falada, entre outros lugares, no Haiti.
A terra do vodu.
Mama Legba sorriu ao perceber o olhar aterrorizado de Andréa.
"Acho que você já percebeu tudo. Quer ver o que acontece quando eu ligo a lanterna nos olhos da boneca?"
Andréa ficou cega novamente. Cega e indefesa. Ela estava nas mãos deles.
"Apaguem essa luz... por favor... apaguem!"
"Está vendo agora o que é estar à mercê de outros, Andréa? O que você passou todo esse tempo fazendo com os funcionários da loja? Mas isso não é tudo. Estar nas suas mãos também significava estar vulnerável às suas neuras, como a Ilana. Ter os sentimentos mais secretos expostos e descobertos, como Fernando. Você quer ter idéia do que é estar exposto e vulnerável, Andréa?"
"Por favor, deixem-me em...", parou a frase. A voz de Andréa congelou de horror quando ela percebeu o que seus braços vinham fazendo sem que ela ao menos tivesse consciência do que estava acontecendo. Ela estava se despindo. Tirando sua roupa! O casaco e a saia já haviam ido e ela agora tirava a blusa. Estava agora somente de lingerie e meias na frente de seus empregados e sem a menor disposição de parar. Suas mãos cruzadas já abaixavam as alças do sutiã lentamente pelos ombros nus e chegavam ao colo dos seios.
"O que vocês estão fazendo comigo? Parem com isso! Parem com isso já ou vou chamar a polícia!!!!! Vocês vão todos presos!", gritou ela enquanto suas mãos procuravam nas costas o fecho do sutiã.
"Nós, Andréa? Por quê? Não a estamos tocando, ameaçando ou forçando a nada. Você é que está fazendo um espetáculo para nós..."
O sutiã soltou-se e desprendeu-se completamente. Dos quadris para cima, Andréa era apenas pele. Pele bronzeada, sem nenhuma marca de biquini, graças à piscina murada na casa de seu namorado. Seus seios saltaram livres e amorenados, frescos e convidativos ao toque, graças à sua aparência firme e sólida, graciosa, com uma curvatura acentuada em cima e suave e com boa base por baixo, o que os mantinha bem apontados para cima e duros, enviando o olhar para seu cerne, seu centro de sensibilidade e prazer, a região que define e delimita o peito, sem cuja visão não se conhece realmente um busto. Os mamilos amplos e róseos, lisos e redondos da gerente, que soluçava e chorava, incapaz de completar uma frase, contrastando com o seu corpo que fazia questão de continuar o strip tease e exibir-se orgulhosamente.
"Vejam esse peito... vocês ainda acham que eu não tinha nenhuma razão para me apaixonar?", riu Fernando.
"O que vocês estão fazendo comigo?", era o bordão que ela repetia sem parar, a única resistência que conseguia opor, enquanto sentia suas mãos percorrerem os quadris em busca do elástico da calcinha e a baixarem lentamente, expondo sua vagina, com pelos ralos e sedosos, tão convidativos quanto os de um gato, claros e delicados, protegendo a sua fenda vertical, de lábios tímidos, pequenos e fechados.
A calcinha ia descendo pelas torneadas coxas grossas malhadas da deliciosa gerente junto com as primeiras lágrimas em seu rosto. "Por quê... por que vocês estão fazendo isso comigo?", choramingava enquanto sua última peça de roupa se livrava de seu corpo esplêndido e a deixava ali, no depósito, completamente nua e indefesa, à mercê de seus vingativos empregados.
"Para que você veja o que é sentir-se à mercê de outros", foi a resposta de François, "Para que você saiba o que é sentir-se completamente exposta", foi a respostas de Fernando e "Para que você saiba o que é verdadeiramente o poder" foi a resposta de Mama Legba, fechada com uma grande gargalhada que assustou Andréa. A moça tentou esconder seu reflexo, mas seus seios livres e nus balouçaram gentilmente, firmes que eram, traindo seu medo.
"Parece que alguém aqui está tremendo".
"Deixem-me ir embora... por favor".
"Ah, Andréa, mas nós vamos... vamos mandar você embora. Mas não do jeito que entrou aqui. Vamos mandá-la de um modo muito mais gentil. Você vai ser incapaz de dizer não. Vai ser obrigada a obedecer qualquer ordem ou sugestão que lhe dêem. Em suma, vamos apagar seu livre arbítrio... ou livre arbitrariedade, como devia ser chamado no seu caso"
"Vocês não podem fazer isso!"
"Ora, cale-se, Andréa"
"N" foi o único som que a jovem nua pôde proferir antes que suas mandíbulas se cerrassem inexoravelmente. Ela tentou falar alguma coisa, mas nem sequer um suspiro pôde sair de seus lábios. Ela estava nua e agora muda.
"É claro que você vai continuar exatamente do jeito que é. Não vamos tocar na sua personalidade. Você pode continuar a tratar as pessoas como sempre tratou. Mas vamos ver se é isso que você vai fazer a partir de agora", explicou Mama Legba enquanto era seguido pelos olhos suplicantes da silenciosa gerente nua, movimento que continuava a fazer seus seios empinados balouçarem suavemente, como se tocados por uma brisa.
"Veja isso como um teste de personalidade", disse François, levando todo mundo a gargalhar, menos é claro, Andréa, que não o poderia mesmo que tivesse achado graça. O neto da sacerdotisa vodu continuou. "Pode falar agora, Andréa".
"P-por favor..." falou a moça nua, como se estivesse soltando a respiração após ficar debaixo d'água.
"Viu como funciona? Muito bem, Andréa, chega por hoje. Pode vestir-se e ir embora..."
"Vocês não podem me deixar ir embora assim".
"Tem razão. Espere, Andréa", disse Fernando.
Os braços nus da loura, que buscavam sua calcinha, pararam imediatamente.
"Lembra como você reclamava do meu cigarro? Que não suportava fumantes? Que não entendia o que eles viam no cigarro? Pois agora você vai entender... vai entender o que é obsessão... a mesma que eu tinha por você".
"Não", protestou fracamente a moça nua, enquanto tentava apertar o busto com os braços para expor menos seus belissimos seios, "por favor, não me faça fumar... cigarro mata".
"Não, não íamos querer que você estragasse esse lindo corpinho, não é mesmo? Eu tenho uma idéia muito melhor... muito melhor..."
Mais uma vez os seios da jovem tremeram, entregando seu medo.
"Você vai ser viciada em... esperma!"
"Não!"
"Sim! É disso que os receptores de seu cérebro mais vão gostar. Só uma dose de porra vai conseguir te satisfazer, quando você estiver sem um pouco há muito tempo. É esse que vai ser seu vício. Você vai ser dependente química de porra! Porra!"
Os braços de Andréa se alargaram. Ela cambaleou e quase caiu enquanto sentia seu estômago se revirar, suas entranhas se reconstruirem, enquanto seu cérebro lhe dava vontade de comer alguma coisa diferente e não era um sushi, nem comida alemã, nem comida italiana ou espanhola, ela precisava de um sabor mais forte, de um sabor mais temperado e forte, alguma coisa salgada e suada e só ao pensar isso, sentiu aumentar o calor entre suas pernas e essa sensação lembrou-a automaticamente que estava nua e sua pela completamente exposta levou seu pensamento diretamente a sexo, o que só fez aumentar a salivação em sua boca, ao pensar num sexo masculino ereto, com as bolas cheias, bem cheias.
Andréa sentiu um arrepio de medo percorrer sua espinha ao perceber que, ao pensar nisso, lambera os beiços inconscientemente.
"Será que funcionou?", perguntou Fernando a François, que lhe respondeu "não sei. Experimenta". O jovem tímido hesitou por um instante, pensou no constrangimento, mas, ao olhar aquela mulher maravilhosa nua, suas nádegas firmes e rijas, com uma marca de biquini que parecia ter nascido com ela, pequena e bem localizada, seus quadris amplos e sua cintura estreita, seus seios maravilhosos, suas pernas fartas e curvilíneas, chegou à conclusão que aquilo valia qualquer sacrifício e se aproximou dela.
Andréa, caída, levantou-se um pouco. Ajoelhou-se, ao ver Fernando se aproximar. Seus mamilos tornaram-se mais escuros e rijos. Fernando chegou perto. Sua virilha à altura da boca dela. O coração da gerente batia acelerado. Seu rosto avermelhava-se e ficava afogueado. Suas pálpebras tremiam e seus olhos demonstravam pavor, mas sua boca se entreabriu lentamente, esperando receber um presente.
Fernando parou. "E agora?", perguntou.
"Bota ele pra fora", pediu Andréa, bem baixinho.
"Como?", insistiu Fernando ironicamente. Ironia que não teve muito efeito. A gerente, lembrando o modo como conseguiu subir tão rápido na carreira, com decisão pulou sobre a calça de Fernando, desceu o zíper, enfiou a mão lá dentro e puxou uma tora um tanto curta e de grossura média e abocanhou-a tão logo ela viu o ar livre. "Ai!", soltou Fernando, assustado com a voracidade da moça. Os outros riram. "Devagar, Andréa. Eu sempre gostei de sua... elegância". "Mmmmmmm", protestou Andréa através de sua boca repleta, diminuindo o ritmo do boquete, como ordenado, contra a sua vontade.
"Se bem que ela não parece muito elegante agora".
"Com esse corpo, ela vai ser elegante de qualquer jeito, François", replicou Fernando, antes de fechar os olhos e acariciar os cabelos sedosos da garota, inutilmente, pois Andréa estava totalmente concentrada em como levar seu ex-empregado ao gozo o mais rápido possível, mesmo sendo obrigada a um ritmo mais cadenciado. Seu corpo inteiro estava focalizado em chupar o membro dele. Seu busto subia e descia, com os movimentos de sucção repetindo o vaivém de sua boca. Uma de suas mãos movimentava a pouca pele que não estava abocanhada, tentando ajudar o orgasmo com uma punheta. Ela sentia sua boceta pulsar antecipando o líquido quente e viscoso prestes a se derramar por sua língua. Cada vez que ela pensava isso, sua outra mão apertava o saco do rapaz, como se tentando espremer o conteúdo.
"Eu não imaginava que ela tivesse uma boca tão grande".
"Com o estímulo que ela recebeu, meu chapa, cabia qualquer coisa". Andréa ouviu isso e sentiu, ao longe, embaixo do frêmito de seu corpo, um vergonhoso sentimento de degradação. Mas se degradação era tão bom, qual o problema? Ela corou e tentou afastar os pensamentos enfiando mais do mastro de Fernando em sua boca, quase sufocando e sentindo os pelos púbicos do rapaz tocarem seu nariz e lábios. O cheiro salgado do suor depositado na virilha dele aumentou ainda mais sua fome e ela começou a temer que uma descarga não fosse o suficiente para o que ela precisava, o que aumentou ainda mais a sua ansiedade. Ela liberou a mão que tentava a desajeitada punheta e baixou-a até seu botãozinho. Ela precisava descarregar suas necessidades. A ponta de seus dedos percorreu suavemente a superfície de seu clitóris e ela sentiu uma pequenissima pontada de alívio da terrível fome que a castigava, mas ainda assim, era um alívio e ela começou a masturbar-se com força e vigorosamente, já que ninguém lhe ordenara que ali ela fosse devagar.
"Olha só...", comentou François, "parece realmente que o Edgar não dava conta satisfatoriamente de nossa chefinha", referindo-se ao namorado quarentão da garota. Andréa só pôde soltar outro murmúrio abafado de protesto, com todo o comprimento da espada de Fernando em sua boca. O murmúrio, no entanto, não acabou, continuou, mais forte e pausado, mais lento e certo, ela fechou os olhos e descontrolou-se, ela estava gozando, havia chegado ao orgasmo, sentia seus quadris pulsarem involuntariamente, sua boceta aberta sentindo o ar fresco, seu corpo, a partir de seu sexo, se petrificando e depois se liquefazendo, um movimento que a fazia murmurar longamente.
Fernando não pôde resistir ao espetáculo e começou a gozar também e ao sentir o primeiro jato, farto e grosso tocar as paredes de sua boca e sua língua, Andréa teve seu orgasmo multiplicado mil vezes. Ela queria ter o estômago inteiro repleto daquele néctar, todo o seu corpo estufado e recheado com aquele caldo, provar mais e mais e mais, ela apertou mais as bolas dele, aumentando a chupada, a sucção, querendo drenar todo o fluido sexual do seu ex-empregado.
A fonte secou. Os jorros pararam. Andréa ainda tentou sugar mais, mas Fernando estava esgotado. Ainda assim, ela insistiu com as chupadas e lambidas, ainda zonza e acesa com o cheiro. Fernando, entretanto, após recuperar as forças, puxou a cabeça dela para trás e tirou seu mastro da boca dela. Um ar de decepção se espalhava pelo rosto de Andréa.
"Bom, hein?"
Andréa, agora satisfeita e com a cabeça temporariamente livre da obsessão, não respondeu. Apenas baixou a cabeça. Mais lágrimas se juntaram às muitas outras já derramadas na noite.
"Agora está bem. Pode se vestir e ir embora".
"Não me deixem assim. Por favor."
"Você nunca soube o significado da expressão por favor, Andréa".
"Mas..."
"Chega. Pode ficar aqui mais se quiser, mas nós estamos indo".
"É melhor ir para casa recuperar as energias", disse Mama Legba enquanto se dirigia à porta, "acho que você vai precisar de muita no trabalho amanhã".
Os empregados que saíam riram e fecharam a porta. Andréa ficou lá, quieta, chorando, nua e indefesa no depósito vazio, deprimida.
Quando ela sentiu passar pela sua cabeça que talvez uma boa esporrada melhorasse sua depressão, ela teve um arrepio.
Mas isso não significava que ela não se dedicasse ao seu trabalho. Ela era profissional. Esforçada. Ambiciosa. Era por isso que não gostava de gente de sua idade. Um bando de irresponsáveis e brincalhões. Inconsequentes. Tolos. Fúteis. Reclamavam tanto de fazer hora extra, mas eram incapazes de tomar qualquer atitude. Era só ela anunciar serão para ouvir os lamentos. E só. Ninguém se queixava diretamente. Ninguém tinha coragem para tanto. Sem ambição. Fracos. Nenhum deles teria a disposição dela, a disposição de estar tão tarde da noite ainda na loja, checando os livros de caixa e o estoque. Ela tinha ouvido muito os empregados comentando sobre os shows que tinham ido assistir ultimamente. Muitos shows. E todos caros. Sem contar que o François havia mesmo comprado um carro. Podia parecer pouco, mas ela não chegara tão longe em tão pouco tempo de outra forma. Podia ser apenas um indício de que eles estavam aprendendo com ela a organizarem suas vidas, mas como ela não vira nenhuma mudança no comportamento deles, ela duvidava disso. Ela queria ter certeza de que ninguém estava roubando a loja.
E, pelo jeito, era isso que ela ia conseguir. Livros, planilhas, estoque, faturas, tudo conferia perfeitamente. Mas não batia. Algo ali não batia. Ela estudara Jung, Freud, Campbell e sabia que intuição era a maneira do subconsciente avisar você de alguns fatos coletados que você desprezou conscientemente. Ela sabia que não devia desprezar seus instintos. Alguma coisa andava errada com os funcionários daquela loja. Mas o quê? O quê?
Foi quando ela ouviu os passos.
Alguém estava se movimentando no estoque.
A gerente sorriu. Agora estava tudo claro para ela, ali, naquelas sombras. Não era uma manobra contábil.
Andréa aproximou-se intimorata da escuridão e chamou em voz patronal pelo empregado, "François?", mas as sombras permaneceram indevassáveis à sua vista e voz. Ela então inquiriu de novo, aumentando o tom de ordem.
"François"?
"Ouça-a, Mama Legba. Ela está sozinha e indefesa no escuro, mas ainda assim prefere ser desagradável e autoritária. Ela não demonstra o menor medo".
"Medo? Eu, François? Você é que deveria estar, andando pela loja a esta hora fazendo não sei o quê, logo depois de comprar um carro novo. Você vai ter muitas explicações a dar à Débora, depois do que eu contar a ela. Eu não, eu não tenho nada a esconder, não tenho nada a temer."
Ela mal acabou de falar, mal acabou de fazer seu discurso repreensivo, suas falácias de censura, quando uma voz feminina, uma voz de mulher, uma voz de uma mulher que viveu muito, que viu de tudo, a voz de uma mulher que conheceu mistérios deste e de outros mundos, uma voz de mulher com toda a autoridade advinda da experiência, a verdadeira autoridade que Andréa desconhecia completamente riu uma risada asmática, gasta em alegrias profanas e intermináveis em outros tempos e disse, em tom de ironia, "Pois deveria, menina. Isso não é coragem, é apenas estupidez". Andréa tentou localizar a voz, procurar uma sombra, uma silhueta, qualquer coisa que lhe indicasse quem estava lhe falando quando subitamente todo o depósito explodiu em luz, cegando-a tão completa e subitamente que ela caiu ao chão, tentando desesperadamente cobrir os olhos com o braço.
"Problemas com a visão, menina?"
"Onde você conseguiu esse refletor?"
"Não é de estranhar. Você sempre foi cega..."
"Desligue essa luz para podermos conversar..."
"Nunca teve olhos, por exemplo, para Fernando... você tem idéia do que ele sentia por você?"
"Fernando? Ele queria me adular... achava que poderia me subornar com flores e presentes..."
"Ele era perdidamente apaixonado por você, Andréa!!!!! Você não só ignorou os sentimentos do rapaz como ainda o demitiu por isso! Você sabe o que aconteceu com ele quando saiu da loja?"
"Eu não via porque manter contacto com alguém obviamente tão interesseiro..."
"Tão cega... tão perdida e completamente cega... ele entrou em depressão, Andréa. Tentou o suicídio... por uma mulher como você... que desperdício... que tolice..."
"S-suicídio?"
"Foi, menina má... Felizmente François tinha ido visitá-lo e o encontrou a tempo. Ele ainda está sob tratamento psiquiátrico. Vamos pular Ilana, que você demitiu porque ela estava conversando com aquele seu namorado, tentando ser simpática com o amado da patroa e você achou que ela estava dando em cima dele. Vamos falar logo de meu sobrinho-neto... François... e o carro que ele comprou..."
"François é seu sobrinho-neto..?"
"Sim, é... acho que ao menos casado você sabe que ele é... pois bem, o carro que ele comprou foi porque a Ana, esposa dele, estava grávida. Como eles sempre sonharam. No entanto, era gravidez de alto risco. Eles fizeram um esforço tremendo para comprarem o carro para que Ana pudesse chegar a tempo no hospital a qualquer sinal de que algo ia errado. Só que François contava com o pagamento das horas extras... que você cortou. E o carro foi tomado."
"Eu não tenho culpa! Ele não podia se endividar contando com um aumento ainda não decidido..."
"Não era um aumento, vagabunda! Eram meus direitos!"
"Calma, François. Ela vai ter o que merece", e Andréa pela primeira vez tremeu ao ouvir essas palavras da mulher, que em seguida dirigiu-se a ela, continuando a história.
"Sabe o que aconteceu, Andréa? No dia seguinte ao que o carro foi tomado, Ana começou a sentir-se mal, François estava na loja fazendo um serão de graça, para poder manter o emprego e o telefone estava desligado, por economia. Ela tentou tomar um táxi, mas não chegou ao hospital a tempo." A mulher fez uma pausa e Andréa começou a sentir-se mal, já adivinhando o que viria em seguida.
"Ela perdeu o bebê, Andréa. Um menino. E teve complicações. Ela nunca mais vai conseguir engravidar outra vez, Andréa. François não terá o filho que tanto queria com Ana".
Andréa começou a sentir-se mal. Pessimamente. Ela nunca imaginara que um empregado tão descuidado como François pudesse ser um marido tão empregado. Nunca lhe passara pela cabeça que alguém pudesse ser mais atencioso em sua vida sentimental do que em sua vida profissional.
"Eu... eu sinto muito... de verdade... eu não pretendia isso... por favor... apague esse refletor, para podermos conversar..."
"O refletor? Está bem. Apagaremos..."
A luz apagou de repente. Andréa finalmente pôde descobrir os olhos e ver com quem estava falando. Estavam todos ali. François. Fernando. Ilana. Uma senhora idosa, gorda e de branco. Em suas mãos, uma lanterna, agora apagada, com o foco dirigido aos olhos de uma pequena boneca.
Com as feições de Andréa, que teve um súbito choque ao se lembrar que François é um nome de língua francesa, falada, entre outros lugares, no Haiti.
A terra do vodu.
Mama Legba sorriu ao perceber o olhar aterrorizado de Andréa.
"Acho que você já percebeu tudo. Quer ver o que acontece quando eu ligo a lanterna nos olhos da boneca?"
Andréa ficou cega novamente. Cega e indefesa. Ela estava nas mãos deles.
"Apaguem essa luz... por favor... apaguem!"
"Está vendo agora o que é estar à mercê de outros, Andréa? O que você passou todo esse tempo fazendo com os funcionários da loja? Mas isso não é tudo. Estar nas suas mãos também significava estar vulnerável às suas neuras, como a Ilana. Ter os sentimentos mais secretos expostos e descobertos, como Fernando. Você quer ter idéia do que é estar exposto e vulnerável, Andréa?"
"Por favor, deixem-me em...", parou a frase. A voz de Andréa congelou de horror quando ela percebeu o que seus braços vinham fazendo sem que ela ao menos tivesse consciência do que estava acontecendo. Ela estava se despindo. Tirando sua roupa! O casaco e a saia já haviam ido e ela agora tirava a blusa. Estava agora somente de lingerie e meias na frente de seus empregados e sem a menor disposição de parar. Suas mãos cruzadas já abaixavam as alças do sutiã lentamente pelos ombros nus e chegavam ao colo dos seios.
"O que vocês estão fazendo comigo? Parem com isso! Parem com isso já ou vou chamar a polícia!!!!! Vocês vão todos presos!", gritou ela enquanto suas mãos procuravam nas costas o fecho do sutiã.
"Nós, Andréa? Por quê? Não a estamos tocando, ameaçando ou forçando a nada. Você é que está fazendo um espetáculo para nós..."
O sutiã soltou-se e desprendeu-se completamente. Dos quadris para cima, Andréa era apenas pele. Pele bronzeada, sem nenhuma marca de biquini, graças à piscina murada na casa de seu namorado. Seus seios saltaram livres e amorenados, frescos e convidativos ao toque, graças à sua aparência firme e sólida, graciosa, com uma curvatura acentuada em cima e suave e com boa base por baixo, o que os mantinha bem apontados para cima e duros, enviando o olhar para seu cerne, seu centro de sensibilidade e prazer, a região que define e delimita o peito, sem cuja visão não se conhece realmente um busto. Os mamilos amplos e róseos, lisos e redondos da gerente, que soluçava e chorava, incapaz de completar uma frase, contrastando com o seu corpo que fazia questão de continuar o strip tease e exibir-se orgulhosamente.
"Vejam esse peito... vocês ainda acham que eu não tinha nenhuma razão para me apaixonar?", riu Fernando.
"O que vocês estão fazendo comigo?", era o bordão que ela repetia sem parar, a única resistência que conseguia opor, enquanto sentia suas mãos percorrerem os quadris em busca do elástico da calcinha e a baixarem lentamente, expondo sua vagina, com pelos ralos e sedosos, tão convidativos quanto os de um gato, claros e delicados, protegendo a sua fenda vertical, de lábios tímidos, pequenos e fechados.
A calcinha ia descendo pelas torneadas coxas grossas malhadas da deliciosa gerente junto com as primeiras lágrimas em seu rosto. "Por quê... por que vocês estão fazendo isso comigo?", choramingava enquanto sua última peça de roupa se livrava de seu corpo esplêndido e a deixava ali, no depósito, completamente nua e indefesa, à mercê de seus vingativos empregados.
"Para que você veja o que é sentir-se à mercê de outros", foi a resposta de François, "Para que você saiba o que é sentir-se completamente exposta", foi a respostas de Fernando e "Para que você saiba o que é verdadeiramente o poder" foi a resposta de Mama Legba, fechada com uma grande gargalhada que assustou Andréa. A moça tentou esconder seu reflexo, mas seus seios livres e nus balouçaram gentilmente, firmes que eram, traindo seu medo.
"Parece que alguém aqui está tremendo".
"Deixem-me ir embora... por favor".
"Ah, Andréa, mas nós vamos... vamos mandar você embora. Mas não do jeito que entrou aqui. Vamos mandá-la de um modo muito mais gentil. Você vai ser incapaz de dizer não. Vai ser obrigada a obedecer qualquer ordem ou sugestão que lhe dêem. Em suma, vamos apagar seu livre arbítrio... ou livre arbitrariedade, como devia ser chamado no seu caso"
"Vocês não podem fazer isso!"
"Ora, cale-se, Andréa"
"N" foi o único som que a jovem nua pôde proferir antes que suas mandíbulas se cerrassem inexoravelmente. Ela tentou falar alguma coisa, mas nem sequer um suspiro pôde sair de seus lábios. Ela estava nua e agora muda.
"É claro que você vai continuar exatamente do jeito que é. Não vamos tocar na sua personalidade. Você pode continuar a tratar as pessoas como sempre tratou. Mas vamos ver se é isso que você vai fazer a partir de agora", explicou Mama Legba enquanto era seguido pelos olhos suplicantes da silenciosa gerente nua, movimento que continuava a fazer seus seios empinados balouçarem suavemente, como se tocados por uma brisa.
"Veja isso como um teste de personalidade", disse François, levando todo mundo a gargalhar, menos é claro, Andréa, que não o poderia mesmo que tivesse achado graça. O neto da sacerdotisa vodu continuou. "Pode falar agora, Andréa".
"P-por favor..." falou a moça nua, como se estivesse soltando a respiração após ficar debaixo d'água.
"Viu como funciona? Muito bem, Andréa, chega por hoje. Pode vestir-se e ir embora..."
"Vocês não podem me deixar ir embora assim".
"Tem razão. Espere, Andréa", disse Fernando.
Os braços nus da loura, que buscavam sua calcinha, pararam imediatamente.
"Lembra como você reclamava do meu cigarro? Que não suportava fumantes? Que não entendia o que eles viam no cigarro? Pois agora você vai entender... vai entender o que é obsessão... a mesma que eu tinha por você".
"Não", protestou fracamente a moça nua, enquanto tentava apertar o busto com os braços para expor menos seus belissimos seios, "por favor, não me faça fumar... cigarro mata".
"Não, não íamos querer que você estragasse esse lindo corpinho, não é mesmo? Eu tenho uma idéia muito melhor... muito melhor..."
Mais uma vez os seios da jovem tremeram, entregando seu medo.
"Você vai ser viciada em... esperma!"
"Não!"
"Sim! É disso que os receptores de seu cérebro mais vão gostar. Só uma dose de porra vai conseguir te satisfazer, quando você estiver sem um pouco há muito tempo. É esse que vai ser seu vício. Você vai ser dependente química de porra! Porra!"
Os braços de Andréa se alargaram. Ela cambaleou e quase caiu enquanto sentia seu estômago se revirar, suas entranhas se reconstruirem, enquanto seu cérebro lhe dava vontade de comer alguma coisa diferente e não era um sushi, nem comida alemã, nem comida italiana ou espanhola, ela precisava de um sabor mais forte, de um sabor mais temperado e forte, alguma coisa salgada e suada e só ao pensar isso, sentiu aumentar o calor entre suas pernas e essa sensação lembrou-a automaticamente que estava nua e sua pela completamente exposta levou seu pensamento diretamente a sexo, o que só fez aumentar a salivação em sua boca, ao pensar num sexo masculino ereto, com as bolas cheias, bem cheias.
Andréa sentiu um arrepio de medo percorrer sua espinha ao perceber que, ao pensar nisso, lambera os beiços inconscientemente.
"Será que funcionou?", perguntou Fernando a François, que lhe respondeu "não sei. Experimenta". O jovem tímido hesitou por um instante, pensou no constrangimento, mas, ao olhar aquela mulher maravilhosa nua, suas nádegas firmes e rijas, com uma marca de biquini que parecia ter nascido com ela, pequena e bem localizada, seus quadris amplos e sua cintura estreita, seus seios maravilhosos, suas pernas fartas e curvilíneas, chegou à conclusão que aquilo valia qualquer sacrifício e se aproximou dela.
Andréa, caída, levantou-se um pouco. Ajoelhou-se, ao ver Fernando se aproximar. Seus mamilos tornaram-se mais escuros e rijos. Fernando chegou perto. Sua virilha à altura da boca dela. O coração da gerente batia acelerado. Seu rosto avermelhava-se e ficava afogueado. Suas pálpebras tremiam e seus olhos demonstravam pavor, mas sua boca se entreabriu lentamente, esperando receber um presente.
Fernando parou. "E agora?", perguntou.
"Bota ele pra fora", pediu Andréa, bem baixinho.
"Como?", insistiu Fernando ironicamente. Ironia que não teve muito efeito. A gerente, lembrando o modo como conseguiu subir tão rápido na carreira, com decisão pulou sobre a calça de Fernando, desceu o zíper, enfiou a mão lá dentro e puxou uma tora um tanto curta e de grossura média e abocanhou-a tão logo ela viu o ar livre. "Ai!", soltou Fernando, assustado com a voracidade da moça. Os outros riram. "Devagar, Andréa. Eu sempre gostei de sua... elegância". "Mmmmmmm", protestou Andréa através de sua boca repleta, diminuindo o ritmo do boquete, como ordenado, contra a sua vontade.
"Se bem que ela não parece muito elegante agora".
"Com esse corpo, ela vai ser elegante de qualquer jeito, François", replicou Fernando, antes de fechar os olhos e acariciar os cabelos sedosos da garota, inutilmente, pois Andréa estava totalmente concentrada em como levar seu ex-empregado ao gozo o mais rápido possível, mesmo sendo obrigada a um ritmo mais cadenciado. Seu corpo inteiro estava focalizado em chupar o membro dele. Seu busto subia e descia, com os movimentos de sucção repetindo o vaivém de sua boca. Uma de suas mãos movimentava a pouca pele que não estava abocanhada, tentando ajudar o orgasmo com uma punheta. Ela sentia sua boceta pulsar antecipando o líquido quente e viscoso prestes a se derramar por sua língua. Cada vez que ela pensava isso, sua outra mão apertava o saco do rapaz, como se tentando espremer o conteúdo.
"Eu não imaginava que ela tivesse uma boca tão grande".
"Com o estímulo que ela recebeu, meu chapa, cabia qualquer coisa". Andréa ouviu isso e sentiu, ao longe, embaixo do frêmito de seu corpo, um vergonhoso sentimento de degradação. Mas se degradação era tão bom, qual o problema? Ela corou e tentou afastar os pensamentos enfiando mais do mastro de Fernando em sua boca, quase sufocando e sentindo os pelos púbicos do rapaz tocarem seu nariz e lábios. O cheiro salgado do suor depositado na virilha dele aumentou ainda mais sua fome e ela começou a temer que uma descarga não fosse o suficiente para o que ela precisava, o que aumentou ainda mais a sua ansiedade. Ela liberou a mão que tentava a desajeitada punheta e baixou-a até seu botãozinho. Ela precisava descarregar suas necessidades. A ponta de seus dedos percorreu suavemente a superfície de seu clitóris e ela sentiu uma pequenissima pontada de alívio da terrível fome que a castigava, mas ainda assim, era um alívio e ela começou a masturbar-se com força e vigorosamente, já que ninguém lhe ordenara que ali ela fosse devagar.
"Olha só...", comentou François, "parece realmente que o Edgar não dava conta satisfatoriamente de nossa chefinha", referindo-se ao namorado quarentão da garota. Andréa só pôde soltar outro murmúrio abafado de protesto, com todo o comprimento da espada de Fernando em sua boca. O murmúrio, no entanto, não acabou, continuou, mais forte e pausado, mais lento e certo, ela fechou os olhos e descontrolou-se, ela estava gozando, havia chegado ao orgasmo, sentia seus quadris pulsarem involuntariamente, sua boceta aberta sentindo o ar fresco, seu corpo, a partir de seu sexo, se petrificando e depois se liquefazendo, um movimento que a fazia murmurar longamente.
Fernando não pôde resistir ao espetáculo e começou a gozar também e ao sentir o primeiro jato, farto e grosso tocar as paredes de sua boca e sua língua, Andréa teve seu orgasmo multiplicado mil vezes. Ela queria ter o estômago inteiro repleto daquele néctar, todo o seu corpo estufado e recheado com aquele caldo, provar mais e mais e mais, ela apertou mais as bolas dele, aumentando a chupada, a sucção, querendo drenar todo o fluido sexual do seu ex-empregado.
A fonte secou. Os jorros pararam. Andréa ainda tentou sugar mais, mas Fernando estava esgotado. Ainda assim, ela insistiu com as chupadas e lambidas, ainda zonza e acesa com o cheiro. Fernando, entretanto, após recuperar as forças, puxou a cabeça dela para trás e tirou seu mastro da boca dela. Um ar de decepção se espalhava pelo rosto de Andréa.
"Bom, hein?"
Andréa, agora satisfeita e com a cabeça temporariamente livre da obsessão, não respondeu. Apenas baixou a cabeça. Mais lágrimas se juntaram às muitas outras já derramadas na noite.
"Agora está bem. Pode se vestir e ir embora".
"Não me deixem assim. Por favor."
"Você nunca soube o significado da expressão por favor, Andréa".
"Mas..."
"Chega. Pode ficar aqui mais se quiser, mas nós estamos indo".
"É melhor ir para casa recuperar as energias", disse Mama Legba enquanto se dirigia à porta, "acho que você vai precisar de muita no trabalho amanhã".
Os empregados que saíam riram e fecharam a porta. Andréa ficou lá, quieta, chorando, nua e indefesa no depósito vazio, deprimida.
Quando ela sentiu passar pela sua cabeça que talvez uma boa esporrada melhorasse sua depressão, ela teve um arrepio.
Comentários
Postar um comentário